abstract painting

Num contexto contemporâneo marcado pela inteligência artificial e pela automatização, coloco em primeiro plano a presença humana, a imperfeição e a materialidade, defendendo um regresso ao analógico e à experiência direta do corpo no espaço, através da pintura.

No meu percurso anterior nos media, vivi, por vinte anos, a perfeição, o ensaiado e o construído. E com isso, o peso da artificialidade. Essa experiência tornou-me ainda mais sensível ao que é real, material e humano.

Interessa-me o que sobra quando a construção cai.

Inscrevo o meu trabalho no campo do expressionismo abstrato e do color field, com a obra de Helen Frankenthaler como matriz conceptual. A sua relação orgânica entre gesto e superfície orienta a minha prática actual, em que o processo, o tempo e a fisicalidade do gesto são centrais.

Hoje, pinto maioritariamente sobre pano cru, um suporte que preserva a porosidade e a resistência da matéria, permitindo que a tinta e outros ingredientes se infiltrem e dialoguem com a superfície. A escala surge como consequência do envolvimento do corpo com o suporte, conduzindo-me progressivamente a formatos cada vez maiores, com abertura a uma futura dimensão monumental. ver portfólio